A revolução na linguagem jornalística

Segundo a reportagem da tv Globo News (2011), a história do jornalismo para dispositivos móveis está apenas arriscando os seus primeiros passos. De acordo com a Associação de Editores Online dos EUA, os leitores de jornais norte-americanos que usam tablets serão, no início de 2012, 54 milhões de pessoas (se, é claro, a atual crise econômica não derrubar o império até lá…)

Os aplicativos de notícias estarão entre os mais usados nos novos dispositivos portáteis. Após a popularização dos tablets, surge a inevitável indagação: como produzir e consumir textos noticiosos no novo formato para a mídia digital?

Ocorre que o tablet não parece ser “mais uma plataforma” para a informação. Em um casamento aparentemente perfeito com a informação jornalística, o tablet restitui aos leitores o modelo de interação direta que o mouse lhes havia subtraído: o uso das mãos.

Ao empregar os dedos e os gestos para interagir e manipular diretamente a informação – folheando páginas de revistas ou jornais, ativando imagens, links, botões e vídeos – os usuários reencontraram a oportunidade de uma naturalidade da interação baseada em gestos.

Observa-se também que a integridade da hierarquização visual da informação – uma importante característica do jornalismo impresso – retornou ao primeiro plano nos tablets, retomando um papel proeminente na arquitetura de informação, o que nos remete à força da comunicação visual das revistas impressas. Isto havia se perdido após o estabelecimento e a disseminação dos princípios rígidos de usabilidade que se consolidaram no campo do webdesign.

A portabilidade seria a sua terceira característica fundamental. Com maior conforto e comodidade, possivelmente recostado a uma poltrona ou sofá, o leitor é convidado a passar mais tempo interagindo com a interface: verifica-se que, num site de notícias, ele empregará a sua atenção em média dez minutos; ao ler um jornal impresso, cerca de 30 minutos; e num tablet como o IPad ou um dispositivo Android, até 40 minutos.

About Luiz Agner

Luiz Agner é designer, pesquisador e professor. É doutor em Design pela PUC-Rio, com tese defendida sobre Arquitetura de Informação e E-Gov, e integra o quadro de profissionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também dá aulas na Escola de Comunicação Social da FACHA (RJ). É autor do livro “Ergodesign e Arquitetura de Informação - Trabalhando com o Usuário” (Quartet, 2009 - ISBN: 858569680X).

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